Crónicas de uma Miúda #4

Será que conhecemos as pessoas que nos rodeiam? Os seus limites e convicções? Será assim tão linear afirmarmos que conhecemos de forma absoluta os nossos entes mais queridos? Por mais tempo que passemos ao lado de uma pessoa, nunca iremos conseguir prever as suas atitudes ou perceber todas as suas decisões para com os outros e por vezes, perante nós próprios. Quantas vezes dizemos com uma convicção absoluta que metemos as mãos no fogo por tal pessoa porque a conhecemos como a palma da nossa mão e sabemos o que sente, o que diz e o que faz? E quantas vezes o resultado são queimaduras de 2º grau - ou mesmo de 3º grau -, daquelas que nos ficam marcadas para a vida? A maioria das vezes muito provavelmente. Porque as pessoas tendem a mostrar apenas o que lhes convém ou o que é considerado por bom ou aceitável pela sociedade e escondem sempre o lado menos bom deles, o dito mau génio. E esse, esse apanha-nos desprevenidos quando aparece, sem aviso prévio nem sinais de que tal lado existia na pessoa. E quando a pessoa em questão é uma das mais importantes na nossa vida, nós ficamos sem chão - quase literalmente -, e custa-nos imenso aceitar, ou mesmo acreditar, que tal pessoa nos fez tal coisa ou nos disse aquilo. Mas pensando numa outra perspectiva: nós demonstramos realmente o que sentimos ou pensamos aos outros? Mesmo aos nossos mais queridos? Nem sempre. Guardamos sempre alguns sentimentos e pensamentos para nós, nem mais que não seja para não magoarmos as pessoas em questão. Nunca nos entregamos a 100%, e não é por uma questão de confiança ou intimidade, é algo que nos corre nas veias. Somos estranhas criaturas, difíceis de compreender e de agradar. 

CONVERSATION

5 Comentários:

  1. adorei o texto que infelizmente está carregado de verdades.

    http://letrad.blogspot.pt/ - Another Lovely Blog!

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    1. Muito obrigada! Este texto foi uma espécie de desabafo, e infelizmente toda a gente sofre deste problema.

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  2. Eu acho que desisti de dizer se conheço aquela ou a outra pessoa como a palma da minha mão - não por ser complicado conhecer alguém, mas porque nem eu própria me conheço como a palma da minha mão - como irei conhecer dizer isso?
    Conhecemos as pessoas sim, sabemos como podem reagir em determinadas situações MAS, as vivências e as experiências que elas passaram ou estão a passar pode mudar as previsões.

    Vou seguir o teu blog, gostei do texto e acabo por me ver nele a quase 100%.
    xx

    http://oitotentaculos.blogspot.pt/

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    1. Exacto, também sinto que não me conheço plenamente quanto mais os outros. E obrigada querida pelas palavras! :)

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  3. Até nós próprios temos os "nosso" segredos e não nos conhecemos bem. :)
    Há sempre um dia ou outro em que nos desapontamos ou nos surpreendemos com o "nosso eu". Imagina com os outros. :)

    Gostei muito deste teu desabado. :)

    Andreia,
    http://pontofinalparagrafos.blogspot.pt

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